ENTREVISTA: Ela perdeu a visão e ganhou uma vida com mais cor e sentido

No momento Compartilhando dessa semana, vou contar a história da Elaine Asato, de Cafelândia, no interior de São Paulo.  Em 2010, aos 29 anos, ela estava na gerência de uma multinacional. Um importante cargo executivo e uma longa carreira pela frente. Foi, então, que uma doença rara a deixou cega e mudou o rumo dessa história.

Mas o que poderia ter sido o fim da carreira dela se transformou em um grande aprendizado e trouxe ainda mais sucesso profissional. Leia na entrevista que fiz com ela:

MB: Como estava sua vida quando começou a perder a visão?
Elaine: Eu morava em São Paulo, dedicava minha vida apenas ao trabalho, estava longe da família, amigos e do meu namorado, que moravam no interior. Eu tinha conquistado um importante cargo executivo e trabalhava muitas horas por dia. Um dia percebi que estava voltando pra casa muito mais cansada do que o normal e fui notando que o problema era que eu não conseguia mais enxergar direito. Em quinze dias, eu perdi 90% da visão. Fiquei desesperada!

MB: Você teve algum diagnóstico?
Elaine: Eu passei quase dois anos buscando uma resposta para o meu problema. Fui até para o exterior em busca de um diagnóstico e um tratamento, mas até hoje, eu somente sei que é algo raro que atingiu meu nervo óptico.

MB: E depois que percebeu que a visão não voltaria tão fácil. O que houve?
Elaine: Eu não saia mais de casa, perdi a motivação pra tudo. Sofri com a depressão porque achava que minha vida só continuaria depois que eu me curasse. Como eu só pensava em carreira e trabalho achava que minha vida só teria significado se eu continuasse trabalhando da mesma forma, com a mesma intensidade. Não queria que as pessoas tivessem pena de mim.

MB: Quando decidiu mudar essa forma de pensar?
Elaine: Quando passei a segunda virada de ano sem resolver meu problema pensei que era momento de fazer algo, não daria mais pra continuar daquela maneira, não podia viver uma vida sem significado, só esperando pela recuperação.

MB: Como você começou essa mudança de comportamento?
Elaine: Se antes eu pensava que eu só voltaria a ter uma vida normal quando eu estivesse recuperada, eu passei a encarar que enquanto eu não me curasse, eu iria aproveitar para ir à academia, estudar, me ajudar… Eu usaria o problema para o meu benefício e também dos outros. Eu queria me tornar uma referência para que elas também acreditassem na vida delas. Neste momento, tudo mudou pra mim!

MB: Você pode nos contar o que mudou?
Elaine: Eu percebi que podia viver novas possibilidades na minha vida. Comprei um IPAD com acessibilidade, voltei a estudar, comecei a fazer cursos. Em 2012, fiz uma formação como coach, que me trouxe uma nova carreira.

 

 

MB: Como está sua vida hoje?
Elaine: A empresa em que eu trabalho sempre me ajudou muito em todo processo. Eu passei um longo período em licença médica e eles me apoiaram para voltar, mas com novas funções. Retornei para uma unidade do interior, para estar mais perto da minha família, e me tornei uma coach dos próprios funcionários da multinacional, além de montar um espaço para atender pessoas na cidade em que moro e oferecer palestras e treinamentos motivacionais.  Hoje estou com a agenda lotada e sou ainda mais valorizada como profissional.

MB: E quais são as lições mais importantes que aprendeu com todo esse processo?
Elaine: Eu posso dizer que estou muito em paz com tudo que estou vivendo. É claro que continuo buscando a cura para ter minha visão de volta, mas estou muito satisfeita com o que conquistei.
Antes eu só trabalhava, mas não vivia. Hoje estou mais leve, me divirto, acredito que tem tempo e oportunidade pra tudo.

MB: Como você tenta passar essa mensagem para quem vem ajudando?
Elaine: Eu digo que é preciso acreditar que as coisas são possíveis, que a vida sempre pode ter um sentido. Se eu não acreditasse, eu não estaria vivendo isso hoje.
Você não pode focar no problema, porque ele sempre vai existir, mas valorizar os outros aspectos. Por exemplo, eu não tenho a visão, mas tenho diversas outras qualidades.
A vida passa a ter muito mais sentido quando você acredita que é maior que qualquer problema!

Post Autor
Mirella Bergamo
Mirella Bergamo é jornalista, apresentadora e produtora de conteúdo digital. Depois de sofrer com a Síndrome de Burnout ( grave esgotamento físico e mental) decidiu começar uma trajetória de mudança de vida, com foco no autoconhecimento e saúde integral. Suas experiências e o desejo de inspirar outras pessoas deram origem ao Eu Melhor.

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